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por Oldfox, em 19.01.10

Quinta-Feira, dia 21 Janeiro 2010 é dia de Romeu e Julieta


19 Janeiro 2010

Vamos iniciar uma nova edição da Comunidade de Leitores na Culturgest com a leitura de “Romeu e Julieta” de William Shakespeare. Não poderíamos começar melhor. Se há texto que melhor exprime o ardor juvenil do amor e a força da paixão que se sobrepõe a todos os obstáculos, temo-lo entre as nossas mãos.
É claro que este amor tão intenso e tão puro está condenado desde o início e o destino de ambos – “the star-crossed lovers” – está selado.
A história encontra-se toda no Prólogo:
"Two households, both alike in dignity,In fair Verona, where we lay our scene,From ancient grudge break to new mutiny,Where civil blood makes civil hands unclean.From forth the fatal loins of these two foesA pair of star-cross'd lovers take their life;"

Na cidade de Verona, duas famílias (casas) de alta linhagem mantêm uma longa e feroz guerra que mancha de sangue a comunidade. Romeu e Julieta atravessam este campo de batalha, com o seu “amor proibido” sedentos um do outro, animados por uma força que os transcende e que os levará à morte.
Sabemos quais foram as fontes de Shakespeare para compor esta peça. De acordo com Harold Bloom não podemos esquecer Chaucer, principalmente “Troilus e Créssida” escrito entre 1374 e 1386.
De acordo com Bloom em “The Invention of the Human," Shakespeare e Geoffrey Chaucer encaravam o amor e a morte da mesma forma: "Love dies or else lovers die: these are the pragmatic possibilities for the two poets, each of them experientially wise beyond wisdom" . Quanto a Shakespeare, Bloom observa que dramaturgo mais depressa mataria os amantes do que o próprio Amor e Romeu e Julieta servem de exemplo perfeito, para esta ideia.
Questões:
- Quais as diferenças de carácter entre Romeu e Julieta? O que é que os atrai imediatamente?
Julieta : "My bounty is as boundless as the sea, My love as deep."

E Romeu, quando a vê no esplendor da sua casa:
"What lady's that which doth enrich the hand

Of yonder knight? O she doth teach the torches to burn bright;

Her beauty hangs upon the cheek of night,

Like a rich jewel in an Ethiop's ear."
Será possível pensar que o amor de ambos continuaria a ser tão fecundo – referência constante a flores “blooming” – se tivessem sobrevivido?
- Poderá a impossibilidade do amor servir de aguilhão que os mantém numa ansiedade erótica?
- Poderemos comparar o par Romeu e Julieta com Tristão e Isolda, a narrativa fundadora do amor no Ocidente?

- Será que a espada que Tristão e Isolda colocam entre eles quando estão adormecidos no bosque – e são surpreendidos pelo rei Mark, marido de Isolda? – representa também um impedimento que mantém viva a chama do desejo?

- E quanto ao par Dante e Beatriz, poderá haver semelhanças ou são histórias totalmente distintas?
- Será que tal como em Dante, em Romeu e Julieta se aplica a “religião do amor”?
- Compare-se Mercutio com Romeu? O que os separa e o que os une?
- Que papel desempenham a Ama e o Frade, figuras bem menos nobres de sentimentos?
- Como encarar o ambiente – e a importância – familiar dos Montague e dos Capuletos?

Muito mais será dito e discutido na quinta-feira. Espero que esta pequena amostra vos sirva de incentivo.

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publicado às 06:05


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