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por Oldfox, em 18.07.13

Revoltas I - O Grande Vazio

 

 

Imagem: Barbara Kruger


Há uma doença infecto-contagiosa, que está a alastrar pelo País e não só, contaminando os confins da Europa e até Ilhas esquecidas, perdidas no oceano. Dá pelo nome de “vacuidade” mas este termo, aparentemente inocente, esconde uma maleita perniciosa, quase sempre fatal. A vacuidade começa por se alojar no cérebro, torna-se visível no fácies, manifesta-se no discurso e nos gestos e, ao espalhar-se, provoca danos irreparáveis. Montaigne meditou sobre este fenómeno, transformando-o em algo de elevado, com a sua habilidade superior em expressar o seu “eu-profundo”,  “desenhando-o com a pena” e preenchendo assim o “grande vazio”. Montaigne há só um – embora seguido religiosamente por gente tão “cá de casa” como a tia Virgínia (Woolf) - mas não cito mais nomes sonantes para não maçar os leitores.

No entanto, é impossível ignorar Pascal que perorou longamente sobre o “horror ao vácuo” que impera na Natureza. E é essa tendência que, sem a capacidade e o génio de uns tantos iluminados, infelizmente se transformou em maleita fatal.

Vejamos: a maior parte dos nossos políticos, um número considerável de “comentadores”, certos legisladores e muitos ocupantes de cargos que exigem “substância”, matéria-prima, isto é, ideias, criatividade, enfim, estrutura” estão fortemente afectados por esta doença. De tão vazios, atraem inevitavelmente todo o lixo, todos os detritos, toda a imundície, toda a esterqueira que é mastigada e lhes volta a sair pela boca em forma de palavras infectadas, maléficas e distorcidas, embora aplaudidas por alguns que revelam assim um efeito colateral que dá pelo nome de “gáudio dos imbecis”.

Não há nada mais assustador do que um País refém da vacuidade. É pior do que um surto de peste medieval. Sem tratamento possível.  

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publicado às 13:18


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