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por Oldfox, em 12.08.13

Crónica II - Jackson Pollock

 

 

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Jackson Pollock morreu em Agosto, o mês de todos os desastres.

 


No verão de 1956, a 11 de Agosto, um acontecimento dramático marcou indelevelmente o mundo da cultura: um potente Oldsmobile descapotável despistou-se a alta velocidade numa curva da estrada, a caminho de Springs, Long Island. Ao volante ia Jackson Pollock,o mais celebrado artista do momento, acompanhado da sua amante Ruth Kligmane de uma amiga, Edith Metzger. Regressavam de uma noitada de deambulações por bares e de discussões violentas. Pollock, separado da pintora Lee Krasner, com quem se casara em 1944, tinha 44 anos e encontrava-se no auge do seu processo criativo. No entanto, o seu comportamento suicidário e desesperado levava-o a afundar-se cada vez mais na angústia e no álcool.

“Jack the Driper” (como era conhecido) nascera em 1912, em Cody, Wyoming, de uma família de pioneiros da velha guarda, sólidos, resistentes e duros. Nas suas veias corria sangue irlandês, escocês e alemão. As terras onde se fixaram os seus pais, Stella e Roy, estavam ainda maioritariamente ocupadas por índios e celebrizavam-se mundo fora, graças ao “show” de um senhor que dava pelo nome de Buffalo Bill Cody.

A infância de Jack e dos seus quatro irmãos foi marcada pela saída de casa do seu melancólico e alcoólico pai, quando ele tinha nove anos, e pela inquietação de Stella, uma mulher obstinada e forte, que empurrou a família para mudanças consecutivas entre o Arizona e a Califórnia. Jackson teve a oportunidade de estudar Arte e, em 1930, já em Nova Iorque, ingressou na Arts Student League. Influenciado, numa primeira fase da sua carreira artística ,pelo Surrealismo e pela obra do seu mentor Thomas Art Benton, cedo começou a libertar-se e a procurar alternativas. A sua primeira exposição individual, em 1943, na Galeria de Peggy Gugenheim – que se tornou uma das suas grandes coleccionadoras – consolidou-lhe a fama. Mas foi só em 1947 que o seu estilo se transformou radicalmente. Revolucionando o conceito da composição tradicional, assumiu um estilo de pintura no qual, propositadamente, evitava a identificação de um centro, ou a correlação entre partes. O facto de trabalhar as telas no chão, de usar paus, facas e objectos de pedreiro para além de pincéis – que nunca tocavam a superfície da tela – de utilizar vidro moído, areia como os índios americanos, e outros materiais não convencionais, contribuiu para abrir caminho ao Expressionismo Abstracto, uma corrente que englobou artistas como De Kooning,  Lee Krasner, Mark Rothko, Philippe Guston, Franz Kline, Barnett Newman, Clifford Still e Helen Frankenthaler.  O termo Expressionismo Abstracto fora primeiro cunhado por Robert Coates, em Março de 1936, numa edição do New Yorker e adquiriu um estatuto permanente graças principalmente aos críticos Harold Rosenberg e Clement Greenberg que também “inventaram” os termos “Action Painting” e “American Style”.

A cena artística fervilhava mas foi Pollock quem se captava todas as atenções. A sua personalidade complexa era marcada por uma terrível timidez natural – era dado a longos silêncios e ostentava um ar de constante sofrimento – aliada a uma postura de cowboy machista muito a la Hemingway. De acordo com os seus biógrafos, por volta dos trinta anos estabelecera a sua reputação como um tipo que “bebia, corria riscos, guiava como um louco, dizia palavrões, andava à pancada, fornicava a torto e a direito e não pedia desculpas”. (“Jackson Pollock. An American Saga”, Steven Naifeh e Gregory White Smith ).

O seu brutal desaparecimento resultaria numa lenda tão marcante comoa de James Dean, que morrera no despiste do seu Porsche, em 1955.




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publicado às 19:01


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