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por Oldfox, em 20.06.13

Críticos Literários: uma espécie em perigo de extinção?

É voz comum que os chamados "críticos literários" não são flor que se cheire. Há mesmo quem afirme, com lucidez entusiasta, que tal espécie nem sequer existe, comparando-a a unicórnios, grifos, quimeras, “snarks” e outras extravagâncias. Os mais benévolos avançam com a teoria de que o crítico literário pode ser equiparado ao Dodo (Raphus cucullatus), que chegou a ser uma praga lá para os lados de Madagáscar mas que acabou por se extinguir beatificamente e sem grandes acções de protesto por parte dos conservacionistas. Ao fim e ao cabo – e quantas metáforas podem estar incluídas nesta descrição – o Dodo era uma ave(?) que não voava (?), mal feitona e trangalhadanças, continuamente invejosa de pássaros, passarinhos e passarões que levantavam voo com grande fôlego e beleza – para quem não percebeu, estou a dar uma imagem magnífica dos escritores - nessas paragens do Índico que deliciaram os olhos dos marinheiros holandeses que aí aportaram nos idos de 1598 e lhe chamaram "walghvogel".

 

The famous Edwards' Dodo, painted by Roelant Savery in 1626

 

O Vice Almirante desta esquadra chamava-se Wybrand van Warwijck, o que não vem para o caso, mas é um nome que vibra nos ouvidos, assim como a classificação latina extravagante do parente genético mais próximo, também extinto, do já referido e apalermado Dodo, de nome “Rodrigues Solitaire”.  Assim, para muitos e severos observadores, o odioso crítico literário não passa de um DODO animal negligenciável  e que pode ser visto, apenas, empalhado e coberto de poeira num museu, estrebuchando para ser notado mas cada vez mais perdido na memória dos homens ( e das mulheres).

 

It is said by many that a “literary critic is no good news. Many say, with enthusiastic zeal, that he, or she, doesn’t even exist as a species. Compared to unicorns, gryphons, mermaids dragons in its more drastic version, he , or she, can be apprehended by the most benevolent among us, as a kind of Dodo  (Raphus cucullatus) that was endemic to the island of Mauritius in the warm waves of the Indian Ocean. Extinct efficiently in a hurry to introduce more domestic and tasty species, the Dodo entered the stream of legends with little enthusiasm. For those who have the misfortune of seeing, in a boring visit to a Museum, the dry bones of the creature or a dusty and clumsy stuffed specimen, the metaphorical (and laughable) parallels between the literary critic and the Dodo are evident. A bird (?) that doesn’t fly (?) - eternally compared to  the gracious, majestic, beautiful creatures, the glorious writers – who exists only in the imagination of those prone to fantasies of not so great a taste.

 

 

A poem by Hilaire Belloc about the Dodo in "Bad Child's Book of Beats", 1896:

 

The Dodo used to walk around,
And take the sun and air.
The sun yet warms his native ground –
The Dodo is not there!

 

The voice which used to squawk and squeak
Is now for ever dumb –
Yet may you see his bones and beak
All in the Mu-se-um!

 

 

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publicado às 13:45


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